O que são

Proliferações benignas são lesões que crescem na pele ou abaixo dela e não têm potencial maligno. São extremamente comuns e, na maioria dos casos, não oferecem risco à saúde.

Placa pigmentada com superfície verrucosa e aspecto colado, característica da ceratose seborreica benigna.
Ceratose seborreica · proliferação benigna Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

Isso não significa, porém, que toda lesão que parece benigna realmente é. Algumas lesões malignas se apresentam de forma semelhante a proliferações benignas, e o diagnóstico clínico correto, com dermatoscopia, é essencial antes de qualquer decisão terapêutica.

A remoção pode ser indicada por dois motivos principais: necessidade diagnóstica (quando há dúvida sobre a natureza da lesão) ou por incômodo clínico ou estético relevante para o paciente.

Principais proliferações benignas da pele

Ceratose seborreica

Lesão elevada, de superfície rugosa e aspecto "colado" à pele, com coloração que vai do bege ao marrom escuro. Muito comum em adultos e idosos. Não tem relação com exposição solar e não evolui para câncer. Pode ser removida quando causa irritação, sangramento por atrito ou quando gera dúvida diagnóstica.

Clínica Lesão elevada de superfície rugosa e aspecto colado à pele, com coloração acastanhada uniforme — ceratose seborreica.
Dermatoscopia Imagem dermatoscópica da mesma lesão de ceratose seborreica, evidenciando os pseudocistos córneos e a textura cerebriforme característica.
Ceratose seborreica · clínica e dermatoscopia Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado
Ceratose seborreica pigmentada de superfície verrucosa e bordas bem delimitadas.
Ceratose seborreica · forma pigmentada Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

Cisto epidérmico (sebáceo)

Nódulo dérmico firme, de crescimento lento, frequentemente com poro central visível. Tem conteúdo pastoso e odor característico quando rompe. Pode inflamar ou infeccionar. O tratamento é cirúrgico, com remoção da cápsula inteira para evitar recidiva.

Lipoma

Nódulo subcutâneo macio, móvel e indolor, formado por tecido adiposo. Cresce lentamente e raramente causa problema além do volume. Pode ser removido quando cresce de forma significativa, causa desconforto ou quando há dúvida diagnóstica com lesões mais profundas.

Dermatofibroma

Nódulo dérmico firme, frequente nas pernas, que afunda discretamente ao ser pinçado lateralmente. Costuma ser assintomático e não requer remoção na maioria dos casos. Pode ser removido quando sintomático ou duvidoso ao exame.

Pápula dérmica firme, levemente acastanhada, em membro inferior — dermatofibroma, com sinal do covinha (dimple sign) ao pinçamento lateral.
Dermatofibroma · pápula firme em membro inferior Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

Acrocórdon (fibroma mole)

Pequenas lesões pediculadas, de coloração da pele ou levemente acastanhadas, muito frequentes em pescoço, axilas e virilhas. Benignas, mas podem causar irritação por atrito com roupas ou acessórios. A remoção é simples e rápida.

Nevo melanocítico benigno

A pinta comum. A grande maioria dos nevos é benigna e não requer remoção. A indicação de retirada existe quando há critérios dermatoscópicos de atipismo, localização de difícil monitoramento ou desejo do paciente após avaliação adequada.

Mácula pigmentada de coloração uniforme e bordas regulares, compatível com nevo melanocítico benigno.
Nevo melanocítico · padrão regular Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado
Nevo melanocítico de coloração marrom homogênea e formato arredondado.
Nevo melanocítico Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado
Pinta marrom de bordas regulares e coloração uniforme — nevo melanocítico adquirido típico.
Nevo melanocítico adquirido Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado
Nevo melanocítico congênito de grande extensão, com coloração uniforme e crescimento de pelos terminais.
Nevo melanocítico congênito Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

Hiperplasia sebácea

Lesão amarelada, com umbilicação central, formada pelo aumento das glândulas sebáceas. Frequente na face de adultos mais velhos. Pode ser removida com laser CO₂ ou por excisão.

Milium

Pequenos cistos epidérmicos superficiais, brancos ou amarelados, frequentes na face. Removidos por abertura com agulha ou lanceta.

Verruga (HPV)

Proliferação viral causada pelo papilomavírus humano (HPV). Pode aparecer em diferentes formas: verruga vulgar, plantar, plana ou genital. O tratamento varia conforme o tipo, localização e extensão.

Quando remover

A decisão de remover uma proliferação benigna leva em conta quatro fatores principais.

O primeiro é a dúvida diagnóstica. Quando o exame clínico e a dermatoscopia não permitem excluir com segurança uma lesão maligna, a biópsia ou remoção completa é indicada, independentemente do aspecto aparentemente benigno.

O segundo é o incômodo físico. Lesões que sangram por atrito, inflamam com frequência, causam dor ou limitam alguma atividade têm indicação de remoção.

O terceiro é a tendência de crescimento. Lesões que crescem de forma progressiva merecem atenção e, em muitos casos, avaliação anatomopatológica.

O quarto é o impacto estético relevante para o paciente. Quando a lesão gera desconforto psicológico ou estético significativo, a remoção pode ser indicada após avaliação adequada da relação risco-benefício.

Como é feita a remoção

A técnica de remoção depende do tipo de lesão, sua localização, profundidade e extensão. As principais abordagens utilizadas são:

  • Curetagem: raspagem com cureta para lesões epidérmicas superficiais, como ceratoses seborreicas.

  • Excisão tangencial: remoção superficial com bisturi, com possibilidade de envio para análise anatomopatológica.

  • Exérese fusiforme: remoção com margens laterais e em profundidade, para lesões dérmicas como cistos e dermatofibromas, com síntese por sutura.

  • Laser CO₂: ablação precisa de lesões superficiais como hiperplasia sebácea, ceratoses seborreicas e verrugas.

  • Eletrocoagulação: destruição térmica complementar, usada em lesões superficiais e acrocórdons.

Na maioria dos casos, o procedimento é realizado em consultório, sob anestesia local, com retorno rápido às atividades do dia a dia.

Comparação antes e depois em paciente com múltiplas ceratoses seborreicas pigmentadas em face, pescoço e tórax superior — pele uniforme após sessão de curetagem associada a laser CO₂.
Ceratoses seborreicas após curetagem e laser CO₂ Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

Como o Dr. Caio Formiga avalia e trata

A avaliação começa pelo diagnóstico correto. Não existe indicação de remoção sem antes definir com clareza o que a lesão é e o que não é. A dermatoscopia é usada sistematicamente, pois permite diferenciar lesões benignas de malignas com muito mais precisão do que o exame a olho nu.

Quando a lesão é claramente benigna e o paciente deseja removê-la, o procedimento é planejado levando em conta o tipo de lesão, a localização e o resultado estético esperado. A técnica é escolhida para oferecer o melhor resultado com o menor impacto possível.

Quando há dúvida diagnóstica, a remoção com análise anatomopatológica é indicada sem hesitação. O resultado informa a conduta subsequente e garante segurança ao paciente.

O uso de lupa cirúrgica 5,5x permite maior controle técnico durante os procedimentos, com melhor definição dos limites da lesão e maior precisão na execução. Na maioria dos casos, o diagnóstico e o procedimento são realizados na mesma consulta, sem necessidade de retorno adicional.

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