O que é o vitiligo

O vitiligo é uma doença autoimune crônica caracterizada pela destruição dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina e pela pigmentação da pele. O resultado é o surgimento de manchas brancas bem delimitadas, que podem aparecer em qualquer área do corpo e crescer progressivamente se a doença não for controlada.

Máculas acrômicas bem delimitadas de distribuição simétrica, padrão característico do vitiligo.
Vitiligo · manchas acrômicas Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

A destruição dos melanócitos ocorre por um mecanismo imunológico mediado por linfócitos T CD8+, que reconhecem e atacam as células pigmentares como se fossem um alvo estranho. Esse processo pode ser desencadeado ou agravado por estresse, trauma físico (fenômeno de Koebner), queimaduras solares e outras agressões à pele.

O vitiligo não é contagioso. Não transmite por contato físico, não compromete a saúde geral e não causa sintomas físicos além da despigmentação. No entanto, o impacto emocional e psicossocial é real e deve ser levado em conta no manejo da doença.

Como o vitiligo se apresenta

As manchas do vitiligo são brancas, bem delimitadas, sem descamação nem relevo. Podem surgir em qualquer localização, mas têm preferência por áreas periorificiais (ao redor de olhos, boca e nariz), extremidades dos dedos, punhos, tornozelos, regiões de trauma repetitivo e genitália.

Manchas acrômicas bilaterais e simétricas no dorso dos pés, com bordas bem delimitadas, padrão característico do vitiligo não segmentar.
Vitiligo · forma não segmentar nos pés Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

O vitiligo é classificado em segmentar, quando as manchas se distribuem em um dermátomo e têm evolução mais limitada e estável, e não segmentar, quando a distribuição é bilateral e simétrica, com potencial de progressão variável. O vitiligo não segmentar é o mais comum e o que mais frequentemente avança ao longo do tempo.

A atividade da doença é avaliada pela presença de manchas novas, pelo crescimento das lesões existentes e pela presença do fenômeno de Koebner, que é o surgimento de novas manchas em áreas de trauma ou pressão.

Diagnóstico

O diagnóstico do vitiligo é clínico, baseado no exame dermatológico. A lâmpada de Wood é um recurso útil para evidenciar manchas de vitiligo precoces, ainda pouco visíveis à luz natural, e para delimitar com mais precisão a extensão das lesões.

A biópsia raramente é necessária, mas pode ser indicada em casos atípicos para afastar outras causas de hipocromia, como hanseníase, pitiríase versicolor, pitiríase alba e nevo hipocrômico.

A investigação de doenças autoimunes associadas é recomendada, pois o vitiligo tem associação conhecida com tireoidite de Hashimoto, doença de Graves, diabetes tipo 1, alopecia areata e outras condições autoimunes. A pesquisa de anticorpos antitireoidianos e função tireoidiana está indicada na maioria dos casos.

Tratamento

O tratamento do vitiligo tem dois objetivos principais: estabilizar a doença, impedindo o surgimento de novas manchas, e promover a repigmentação das manchas existentes. Nem sempre os dois são alcançados ao mesmo tempo, e o grau de resposta varia conforme a localização, o tempo de evolução e o perfil imunológico de cada paciente.

Corticoides e inibidores de calcineurina tópicos

Os corticoides tópicos são utilizados na fase ativa da doença para reduzir a inflamação e tentar estimular a repigmentação. Os inibidores de calcineurina tópicos, como o tacrolimus, são opção especialmente útil em áreas sensíveis como face e dobras, onde o uso prolongado de corticoide tópico é mais limitado. A combinação de tópicos com fototerapia costuma potencializar os resultados.

Fototerapia

A fototerapia com luz ultravioleta de banda estreita (UVB-NB) é uma das opções mais eficazes para estimular a repigmentação do vitiligo, especialmente em manchas com menos de dois anos de evolução. O mecanismo envolve a estimulação dos melanócitos residuais nos folículos pilosos, que migram para repopular a mancha. Requer sessões regulares ao longo de meses.

Antes e depois de paciente com vitiligo facial: à esquerda, manchas acrômicas extensas em fronte, periorbitária e perioral; à direita, repigmentação significativa após tratamento com fototerapia UVB-NB.
Vitiligo facial · resposta à fototerapia UVB-NB Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

Tratamento sistêmico

Em casos de vitiligo com progressão rápida e extensa, o tratamento sistêmico pode ser necessário para estabilizar a doença. Os corticoides orais em pulso e os imunossupressores são opções para fases de atividade intensa. Os inibidores de JAK orais são uma fronteira terapêutica em expansão para o vitiligo moderado a grave.

Como o Dr. Caio Formiga trata vitiligo

Na consulta, o Dr. Caio Formiga avalia a extensão, localização, tempo de evolução e atividade da doença, identificando se o vitiligo está em fase estável ou progressiva. A lâmpada de Wood é utilizada quando necessário para delimitar as lesões com mais precisão.

A investigação de doenças autoimunes associadas é solicitada de forma dirigida, com destaque para a função tireoidiana, que é rotineiramente avaliada.

O tratamento é individualizado conforme o perfil de cada caso. Os tópicos são indicados com orientação clara sobre a forma e a duração do uso, com escolha adequada conforme a localização e a fase da doença.

Quando há indicação de fototerapia, o Dr. Caio Formiga orienta o processo, incluindo a possibilidade de fototerapia com aparelho portátil para manchas localizadas, que permite o tratamento em domicílio com acompanhamento médico regular.

O vitiligo é uma condição crônica que exige paciência e constância no tratamento. O vitiligo exige constância. O acompanhamento é estruturado para ajustar o tratamento conforme a resposta, manter o controle da atividade da doença e orientar o paciente ao longo de um processo que leva tempo.