Hanseníase no Tocantins

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, com acometimento da pele e dos nervos periféricos.

Placa hipopigmentada com bordas bem delimitadas e alteração de sensibilidade, apresentação clássica da hanseníase.
Hanseníase · mancha hipopigmentada Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

O Brasil ainda está entre os países com maior número de casos no mundo, e o Tocantins apresenta alta incidência. Em Palmas, a hanseníase faz parte da prática dermatológica diária.

O objetivo mais importante é o diagnóstico precoce.
A hanseníase tem cura e as sequelas são evitáveis quando tratada a tempo.

Como a hanseníase se manifesta

A manifestação mais comum são manchas na pele associadas à alteração de sensibilidade. Essas manchas podem ser mais claras, avermelhadas ou acastanhadas

Mancha clara única, bem delimitada, com bordas pouco infiltradas e perda de sensibilidade térmica em braço, padrão característico da hanseníase indeterminada ou tuberculoide.
Hanseníase · mancha clara com anestesia térmica Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

O achado característico nas manchas é a redução ou perda de sensibilidade a temperatura: o paciente não consegue diferenciar o quente do frio. As pele afetada fica com menos pelos e mais seca. A pele além de manchar também pode ficar mais grossa com placas e caroços.

Hanseníase é uma doença principalmente neurológica pois causa:

  • espessamento de nervos

  • dor, câimbra, formigamento, queimação ou dormência

  • redução da sensibilidade nas mãos e pés

  • fraqueza nas extremidades

A doença apresenta diferentes formas clínicas, desde quadros mais contidos até formas disseminadas com maior carga bacilar.

Múltiplos hansenomas infiltrados em hélice, antehélix e lóbulo da orelha, padrão clássico da hanseníase virchowiana, forma multibacilar avançada com alta carga bacilar.
Hanseníase virchowiana · hansenomas em pavilhão auricular Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

Diagnóstico dermatológico e neurológico

O diagnóstico da hanseníase é definido pela presença de pelo menos um critério:

Múltiplas placas anulares com bordas eritematosas e centro mais claro distribuídas em dorso e região lombar, padrão da hanseníase borderline.
Hanseníase · manchas e placas Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado
  • lesão de pele com sensibilidade térmica reduzida

  • nervo periférico espessado com sensibilidade e/ou força reduzida

  • baciloscopia ou histopatologia compatível

A avaliação completa da pele em toda a sua extensão é muito importante para o diagnóstico. Nas lesões suspeitas, é realizado o teste de sensibilidade térmica com tubos de água quente e frio.

Na suspeita de hanseníase, a avaliação neurológica é essencial e inclui:

  • teste de sensibilidade tátil com monofilamentos nas mãos e pés

  • avaliação de força muscular nas mãos e pés

  • palpação dos nervos periféricos, em busca de espessamento e dor

Baciloscopia

A baciloscopia é um exame que avalia a presença do bacilo da hanseníase na pele, por meio de um raspado superficial (esfregaço intradérmico).
Quando positiva, ajuda a confirmar o diagnóstico.
É importante destacar que uma baciloscopia negativa não exclui hanseníase.

Biópsia de pele

A biópsia consiste na retirada de um pequeno fragmento da pele para análise em laboratório.
Permite avaliar o padrão inflamatório e, com colorações específicas, detectar o bacilo.

A biópsia de pele fornece mais informações diagnósticas que a baciloscopia, sendo especialmente útil em casos duvidosos.
Mesmo assim, um resultado inconclusivo também não exclui o diagnóstico de hanseníase, que permanece principalmente clínico.

Eletroneuromiografia (ENMG)

É um exame que avalia o funcionamento dos nervos periféricos e auxilia no diagnóstico e acompanhamento da hanseníase.

A eletroneuromiografia é útil para afastar outras causas de neuropatia e acompanhar a evolução do comprometimento neural.

Exames de imagem

Ultrassonografia e ressonância magnética de nervos periféricos podem demonstrar espessamento neural e alterações estruturais.

São úteis como complemento da avaliação, especialmente em casos duvidosos.

Tratamento

A hanseníase tem cura.

Placa eritematoinfiltrada com superfície brilhante em braço, padrão característico da hanseníase tuberculoide ou borderline-tuberculoide.
Hanseníase · placa eritematosa/acastanhada infiltrada Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

O tratamento é feito com poliquimioterapia (PQT), esquema padronizado que combina antibióticos para eliminar o bacilo e interromper a transmissão da doença.

Os esquemas variam geralmente de 6 a 12 meses. As medicações incluem combinações como rifampicina, dapsona e clofazimina.

As medicações podem causar efeitos adversos, por isso o tratamento deve ser acompanhado regularmente para garantir segurança.

A adesão ao tratamento é fundamental. A interrupção ou uso irregular pode comprometer a cura e aumentar o risco de recidiva.

Reações hansênicas

As reações hansênicas são episódios inflamatórios agudos que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento. Não significam falha do tratamento.

Múltiplas placas e nódulos eritematoinfiltrados dolorosos em membro, configurando reação hansênica em paciente com hanseníase em tratamento.
Reação hansênica · placas e nódulos inflamatórios Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

São a principal causa de lesão neural e sequelas permanentes.

Principais reações

  • Neurite: inflamação aguda dos nervos com dor, formigamento, perda de sensibilidade e fraqueza. É a complicação mais importante da hanseníase e deve ser tratada rapidamente para evitar sequelas permanentes.

  • Eritema nodoso hansênico: surgimento de caroços (nódulos) vermelhos dolorosos na pele, geralmente acompanhados de febre e mal-estar. É uma complicação grave da hanseníase. O paciente pode necessitar de internação hospitalar.

O reconhecimento precoce das reações é fundamental.

A maior parte das sequelas da hanseníase não ocorre pela infecção em si, mas pela inflamação não tratada dos nervos.

Por isso, qualquer piora neurológica ou aparecimento de lesões dolorosas durante o tratamento deve ser avaliada rapidamente.

Como o Dr. Caio Formiga dermatologista trata hanseníase

O manejo da hanseníase exige diagnóstico preciso, tratamento adequado e acompanhamento rigoroso, com foco não apenas na cura da infecção, mas principalmente na prevenção de sequelas neurológicas.

O Dr. Caio Formiga possui ampla experiência no manejo da hanseníase em Palmas e no Tocantins, com atuação no sistema público e como coordenador do Serviço de Dermatologia do Hospital Geral de Palmas (HGP), acompanhando casos desde apresentações iniciais até formas complexas com comprometimento neural e reações hansênicas.

A avaliação inicial é completa e direcionada. Inclui exame dermatológico de todo o corpo, com teste de sensibilidade nas lesões suspeitas, além de avaliação neurológica detalhada dos nervos periféricos. Quando necessário, exames complementares são utilizados para apoiar o diagnóstico, sempre com base no raciocínio clínico. A biópsia de pele pode ser realizada na própria clínica, facilitando o diagnóstico em casos duvidosos.

Após a confirmação diagnóstica, é feita a classificação correta da doença, que define o esquema e a duração do tratamento com antibióticos.

O tratamento da infecção é apenas uma parte do cuidado.
O ponto mais crítico na hanseníase é o controle das reações hansênicas e da inflamação neural.

O Dr. Caio Formiga atua de forma ativa no:

  • diagnóstico precoce da doença

  • identificação e tratamento imediato de neurite

  • manejo das reações hansênicas

  • monitorização contínua da função neural

O acompanhamento é estruturado. Em geral, é proposto um plano de acompanhamento de 12 meses, com consultas a cada 2 meses, que incluem reavaliação clínica completa da pele e dos nervos, permitindo ajustes precoces no tratamento, monitorização de efeitos adversos e maior segurança ao longo do processo.

Além disso, é sugerido um plano de rastreio dos contatos do paciente, visando o diagnóstico precoce e o controle da transmissão da hanseníase.

Em casos mais complexos que necessitem de internação, o Dr. Caio Formiga pode acompanhar o paciente em ambiente hospitalar, garantindo continuidade do cuidado.

O acompanhamento após o tratamento é fundamental para identificar recidiva, reações tardias e manter a função neural preservada.

Em hanseníase, tratar a infecção é essencial.
Preservar a função neural, prevenir sequelas e conduzir o tratamento com segurança é o que realmente define o resultado.