O que é o herpes zoster

O herpes zoster, popularmente conhecido como cobreiro, é causado pela reativação do vírus varicela-zóster (VZV), o mesmo responsável pela catapora na infância. Após a infecção primária, o vírus permanece latente nos gânglios nervosos sensitivos pelo resto da vida. Em determinadas situações, especialmente quando há queda da imunidade celular, o vírus se reactiva, percorre o nervo sensitivo correspondente e produz as lesões características na pele inervada por aquele território.

Vesículas agrupadas sobre base eritematosa seguindo distribuição dermatomérica unilateral, típicas do herpes zoster.
Herpes zoster · distribuição dermatomérica Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

É uma condição que acomete principalmente adultos acima de 50 anos e pessoas imunossuprimidas, embora possa ocorrer em qualquer faixa etária em quem já teve varicela. A incidência aumenta progressivamente com o envelhecimento, reflexo do declínio natural da imunidade específica contra o VZV ao longo dos anos.

Como se apresenta

O quadro costuma iniciar com pródromos de dor, ardência, formigamento ou hipersensibilidade em uma região delimitada do corpo, antes mesmo do surgimento das lesões cutâneas. Essa fase prodrômica pode durar dois a quatro dias e frequentemente precede o diagnóstico, levando o paciente a buscar outras especialidades antes de identificar a causa dermatológica.

Vesículas agrupadas sobre base eritematosa seguindo distribuição dermatomérica unilateral no abdome, aspecto clássico do herpes zoster.
Herpes zoster · distribuição dermatomérica no abdome Imagem do acervo do Dr. Caio Formiga · uso autorizado

Em seguida surgem as lesões características: vesículas agrupadas sobre base eritematosa, dispostas em faixa unilateral seguindo o trajeto de um dermátomo. O padrão em faixa, que não ultrapassa a linha média, é o sinal mais típico do herpes zoster. As vesículas evoluem para pústulas, crostas e cicatrização ao longo de duas a quatro semanas no paciente imunocompetente.

As localizações mais comuns são o tronco (dermátomos torácicos), a face (ramo oftálmico do nervo trigêmeo) e o pescoço. O zoster oftálmico, que acomete a região periocular e pode comprometer a visão, requer atenção oftalmológica associada. A síndrome de Ramsay Hunt, com acometimento do nervo facial e vestibulococlear, pode causar paralisia facial, otalgia e alterações auditivas.

Dor e neuralgia pós-herpética

A dor é o sintoma mais impactante do herpes zoster e pode ser intensa mesmo durante a fase aguda. A neuralgia pós-herpética (NPH) é a complicação mais frequente e clinicamente relevante: define-se como dor persistente por mais de três meses após a resolução das lesões cutâneas, podendo durar anos em alguns casos.

É mais comum em pacientes idosos e imunossuprimidos. A dor da NPH pode ser em queimação, choque ou pressão constante, com alodinia (dor provocada por estímulos normalmente indolores como o toque da roupa) e impacto significativo na qualidade de vida, sono e bem-estar emocional. O tratamento precoce do episódio agudo é a principal estratégia para reduzir o risco de NPH.

Diagnóstico

O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na apresentação típica: dor prodrômica seguida de vesículas em faixa unilateral. Em apresentações atípicas, especialmente em imunossuprimidos com lesões disseminadas ou em localizações incomuns, a PCR para VZV em swab da lesão ou em líquor confirma o diagnóstico.

A presença do herpes zoster em adultos jovens imunocompetentes ou em recorrências frequentes pode indicar imunossupressão subjacente não diagnosticada, e justifica investigação clínica direcionada.

Tratamento

O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível, preferencialmente nas primeiras 72 horas após o surgimento das vesículas, quando o antiviral tem maior eficácia na redução da duração, da intensidade da dor aguda e do risco de neuralgia pós-herpética.

Antivirais

O aciclovir, o valaciclovir e o fanciclovir são os antivirais de referência. O valaciclovir e o fanciclovir oferecem biodisponibilidade oral superior ao aciclovir e posologia mais cômoda, sendo preferidos quando disponíveis. Em casos graves, com disseminação, acometimento ocular ou imunossupressão importante, o aciclovir intravenoso pode ser necessário.

Manejo da dor aguda

A dor do zoster agudo frequentemente requer analgesia escalonada: analgésicos comuns, anti-inflamatórios, gabapentina ou pregabalina e, nos casos mais intensos, opioides. O manejo adequado da dor na fase aguda não é apenas uma questão de conforto imediato: reduz o sofrimento e pode contribuir para menor risco de cronificação.

Neuralgia pós-herpética

Quando a dor persiste após a fase aguda, o tratamento da NPH é conduzido com antidepressivos tricíclicos, gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), analgésicos tópicos como lidocaína e capsaicina, e em casos refratários, opioides ou intervenções neuromoduladoras. O manejo da NPH frequentemente exige abordagem multidisciplinar.

Vacinação

A vacina contra o herpes zoster (vacina recombinante adjuvantada) é altamente eficaz na prevenção do zoster e da neuralgia pós-herpética, com eficácia superior a 90% em adultos acima de 50 anos. É indicada independentemente de episódio prévio de zoster e deve ser discutida na consulta como parte da prevenção.

Como o Dr. Caio Formiga avalia e trata herpes zoster

O diagnóstico é feito pelo exame clínico das lesões e pela história prodrômica de dor. A identificação precoce é prioritária porque o antiviral precisa ser iniciado nas primeiras horas para ter impacto real no curso da doença.

O manejo inclui a prescrição do antiviral em dose e duração adequadas para o perfil do paciente, a orientação sobre analgesia e o monitoramento da evolução das lesões. Quando há acometimento periocular, a avaliação oftalmológica é articulada sem demora. Em pacientes imunossuprimidos, a abordagem é mais cautelosa e pode exigir acompanhamento mais próximo.

A discussão sobre neuralgia pós-herpética faz parte da consulta desde o início, especialmente em pacientes mais idosos ou com dor intensa na fase aguda. A vacinação é orientada como medida preventiva para episódios futuros em pacientes elegíveis.